Quais são as regras que um fotógrafo deve respeitar dentro da igreja?
Como se comportar na igreja ao
fotografar ou filmar eventos durante uma celebração? Há normas particulares a
serem respeitadas?
Nesta quarta-feira, 19, comemora-se o Dia
Mundial da Fotografia. E com o intuito de oferecer uma formação aos
fotógrafos em geral, o Jovens Conectados traz essas dicas do liturgista e
coordenador da revista italiana “Liturgia Culmen et Fons”, Enrico Finotti,
sobre como fotografar dentro das igrejas com respeito aos ritos e celebrações.
Explica que é preciso levar em consideração especialmente três aspectos:
Comunicadores e, entre eles muitos
fotógrafos, no II Seminário de Jovens Comunicadores (Aparecida, 2014). Foto:
Jovens Conectados.
1. Sentido do sagrado
Seja ou não católico praticamente,
para realizar de forma correta o serviço fotográfico (ou
vídeo) em uma celebração litúrgica, é preciso ter o sentido do sagrado. Já quem
é católico de verdade deve ter um mínimo de consciência de que, nas celebrações
litúrgicas da Igreja, o Senhor está presente.
Estar em uma igreja não é a mesma
coisa que estar em uma praça ou em outro lugar da vida cotidiana. O católico
bem formado sentirá um impulso ao silêncio e à veneração, e cada um dos seus
gestos será inspirado por tais sentimentos.
Mas também quem não é católico, se
tiver senso de educação e respeito pelos outros, compreenderá com
facilidade que é oportuno ter uma delicada atenção nos lugares de culto, onde
seus semelhantes se encontram com o sobrenatural e exercem seu dever perante
Deus segundo o que dita sua religião.
Este sentido do sagrado, portanto,
ainda que seja específico para o cristão, deve estar presente em toda pessoa de
boa vontade inspirada pelos princípios do respeito às convicções religiosas de
cada um.
O fotógrafo, repórter etc, se
verdadeiramente quiserem fazer um serviço profissional, não podem contentar-se
com sua preparação técnica, mas também identificar a estrutura geral da
celebração, seus momentos mais importantes e os passos do evento que quer
fotografar ou filmar.
É comum observar em álbuns de
casamento, crisma, primeira comunhão etc., uma desconcertante marginalização
das coisas mais importantes e a ausência dos momentos centrais e mais
significativos do evento celebrado.
Além disso, o conhecimento da
celebração ritual proporciona as melhores indicações para não atrapalhar indevidamente
sequências fortemente marcadas pela oração contemplativa e, portanto, não
suscetíveis de distrações incômodas.
3. Regras práticas
Estabelecidos os princípios gerais, é
possível recordar algumas normas básicas de intervenção:
- Os lugares celebrativos:
altar, sacrário, ambão e sede, com toda a área do presbitério, que os rodeia a
protege, não deveriam ter jamais a presença de operadores midiáticos
(fotógrafos, camera man etc.). Os profissionais não podem subir as escadas do
altar nem se aproximar dele, nem permanecer perto do sacrário, nem aceder ao
ambão, nem à sede presidencial.
- As partes mais sagradas do
rito: a Oração Eucarística (Cânon) com a consagração e elevação; a
distribuição da comunhão; a proclamação do Evangelho e das leituras deveriam
poder ser feitas com o máximo da sacralidade e em um clima de oração e escuta
atenta de Deus, que primeiramente fala ao seu povo e depois se imola por ele e
se entrega em alimento de vida eterna. É evidente que a capacidade e a perícia
de um fotógrafo se manifestam precisamente nesses momentos singulares, ao tirar
fotos sem ser percebido.
- Um serviço lateral e
escondido: é mais fácil colocar uma câmera de vídeo em lugares fixos,
porém, mais difícil o serviço fotográfico, tanto pelos flashes como pelo
necessário deslocamento em pontos diversos.
Finotti conclui sua explicação
recordando que este serviço pode ser uma ocasião formidável para dar um testemunho
de fé aos próprios clientes. De fato, um fotógrafo com uma fé autêntica
pode se tornar um catequista singular.
Mais ainda: seu trabalho o coloca em
uma situação propícia para levar a cabo um eficaz apostolado litúrgico:
quase como um mistagogo, ele pode levar seus clientes (com seu comportamento,
duas decisões e seus conselhos, dados com cortesia e competência) ao sentido de
uma celebração litúrgica autêntica e participante.
Fonte: jovensconectados.org.br






